Foge comigo.
Faça as malas as pressas, leve apenas o necessário: o pouco dinheiro, o seu antigo violão e sua camisa do Sex Pistols que eu uso como pijama… Sairemos no calar da noite, pela porta dos fundos, tentando não fazer barulho até virarmos a esquina.
E então nós corremos.
Pegamos o trem das sete e ele nos levará a qualquer lugar que queremos… Ou então, quando chegar ao último ponto, você segura a minha mão e então pulamos. ”Não se acanhe. Os abismos medonhos não nos perseguem mais. Apenas pule comigo”.
Porque este mundo sombrio nos cansou. E então fugimos juntos.Entrelaçamos nossos dedos e deixamos nossas mãos agarrarem a nova luz…
E quem diria que isso algum dia seria possível? Aquela luz… aquele pequeno ponto de felicidade que encontramos em nossa infância acreditando ser o alto das nuvens ou o fim do arco-íris… quem diria que veríamos, ou melhor ainda, tocaríamos naquilo novamente?
E, ao tocá-la, sentimos a diferença: é como se nossas almas deixassem nossos corpos e se banhassem num mar de imensa calmaria…
E quem diria que toda essa leveza que sentimos agora vem da nossa fuga para um mundo novo: olhando a nossa volta, não há mais ar poluído, demasiada gritaria e milhares de mentes vazias… Só existe um ”nós” suave sendo cantado pelos pássaros que, finalmente, conseguem voar livres…
”É uma terra nova”.
E em cima de tanto amor e carinho, moldamos nosso novo mundo. Livre dos problemas impacientes e perturbadores, livre de todo o mau-me-quer e impurezas… Voamos com aqueles pássaros, pois agora somos livres.
Fugimos como ”eu” e ”você” e nos libertamos como um só ”nós”.
Enlaçando toda a nossa ternura, amizade, compreensão e sentimento puramente único que construímos até o momento.
O amor é capaz de construir pontes mágicas, e disso tínhamos certeza agora.
Fugimos para qualquer lugar. E de repente, criamos um novo mundo. Um mundo só nosso…
Conquistamos o infinito. Nos tornamos o infinito…
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